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O Despertar da Maternidade Quando nasce um filho… nasce também uma mãe

Quando penso em abordar o tema Maternidade, lembro de quando tinha por volta de 12 anos e assisti uma novela que havia uma personagem chamada Cecília. Alí naquele momento a Maternidade se fez presente. Nasceu em mim o desejo de ser mãe. Em algumas pessoas esse desejo vem bem antes da gravidez, em outras vêm junto com o nascimento do bebê, mas também há casos em que esse desejo não aparece.

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A maternidade é um estado de espírito, é um processo a longo prazo. Um projeto para a vida toda. Embora a maternidade assuma uma maior visibilidade nos primeiros anos de vida da criança, devido a necessidade de prestação de um grande número de cuidados para o crescimento harmonioso, a dádiva de amor, interesse, partilha e responsabilidade permanece mesmo quando os filhos já são adultos. A maternidade exige reajustes importantes na vida da mulher decorrentes das alterações que o corpo vai sofrer, bem como, das alterações dos papéis sociais. A maternidade tem um início, porém não tem um fim.

Com relação a gravidez, em alguns casos antes de engravidar “de verdade”, a pessoa passa por um processo de se imaginar tendo um filho: como seria ele, se gostaria de tê-lo já ou mais tarde, o que espera de si própria como mãe, o que um filho representaria para a sua vida. Nem sempre essas questões são tão claramente pensadas e discutidas dentro da própria pessoa ou entre o casal.

A gravidez é uma época fecunda em vários sentidos: não só um novo ser está sendo formado, mas também, na mulher, está se consolidando uma nova parte de si própria – a capacidade de cuidar de uma criança. Na gestação, ocorrem modificações muito importantes tanto no corpo da mulher, que passa por uma série de modificações e adaptações que lhe possibilita acolher o bebê, quanto na vida emocional da mulher.

A gravidez é considerada como um período de crise que envolve mudanças muito profundas a nível somático, endócrino e psicológico e envolve, por isso mesmo, reajustamentos e reestruturações a vários níveis. Neste período de transição os papéis alteram-se, a grávida, além de filha e mulher, também vai desempenhar o papel de mãe.

Tanto na Maternidade quanto na Gravidez a mulher vai trabalhar questões emocionais. Muitas são as tarefas psicológicas que elas terão ao longo da gravidez.  Após o parto ela vai precisar lidar com a dinâmica de ser mãe e cuidar do bebê. A gravidez se encerra na hora que a mulher dá à luz ao bebê. E nesse momento nasce a mãe.

Diante de tantas transformações — físicas, emocionais e psíquicas — que atravessam a mulher nesse processo, é natural que surjam dúvidas, inseguranças, medos e até sentimentos difíceis de nomear. Nem sempre é simples sustentar tudo isso sozinha. O acompanhamento terapêutico pode ser um espaço seguro e acolhedor para olhar para essas vivências com mais profundidade, compreender os próprios movimentos internos e fortalecer essa nova identidade que está se formando. Cuidar de si, nesse momento, é também uma forma de cuidar do vínculo que está sendo construído. Permita-se ser acolhida nesse processo e, se sentir que é o momento, busque apoio — você não precisa atravessar essa jornada sozinha.

Flávia Ilka França

Psicóloga clínica e mãe da Anna Cecília

Link para acessar o livro: https://loja.editoradialetica.com/humanidades/o-desabrochar-da-maternidade-a-importancia-do-bebe-imaginario-no-vinculo-materno-fetal

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